Aproveitando o feriadão do carnaval, entre textos e reminiscências, períodos de longas conversas e muita preguiça, procurei descobrir o porquê de casamentos que se supunham etenos acabarem de uma hora para outra. Por que esse negócio de mentir para o padre concordando com o “até que a morte nos separe”? Assim, de repente! Então me peguei descobrindo que não é bem assim. Nenhum casamento termina de uma hora para outra. O fim é construído no dia a dia, geralmente com pequenas coisas, atitudes ou palavras que consideramos insignificantes, mas que têm o efeito de produto corrosivo, que age de forma silenciosa corroendo as bases do relacionamento, derrubando a confiança, acabado com a cumplicidade.
Não importa qual a razão que se alegue para justificar o “de repente”. Ela não é a verdade. Mas independente de qual seja a razão, é preciso atentar que nenhum relacionamento termina por responsabilidade de apenas uma das partes. A outra, por menos que creia ou aceite, e por mais certa e com razão que pensa estar, também contribui. Dessa forma, ao fim de um casamento, o melhor é que ambos os cônjuges façam um balanço equilibrado, juntos ou separadamente, e cada um identifique os próprios "erros" na relação, se não para consertá-los, pelo menos para não repeti-los no futuro. Interessante como as pesquisas e os textos escritos sobre o assunto mostram a semelhança entre os motivos apresentados para a separação. Os homens comumente alegam "incompatibilidade de gênios", enquanto as mulheres não perdoam infidelidade e maus tratos. Quaisquer que sejam as razões que apontem, é bom estar certo de que, aquele cônjuge que se considera vítima, também contribuiu de alguma forma para o fim. Isso se dá porque a relação é a dois, e na convivência diária um age e outro reage, e vice-versa, de modo que os dois acabam sendo vítimas de si mesmos, dos próprios atos, escolhas, pensamentos, palavras...Há divórcios que acontecem por razões inquestionáveis, como violação da integridade física (geralmente as mulheres são as vítimas). Há também casos de separações consensuais, onde os cônjuges concordam amigavelmente pelo fim da relação; e há ainda relacionamentos que chegam ao fim por razões mesquinhas e egoístas, como um dos cônjuges querer o fim do casamento por causa de uma outra pessoa. Separar-se simplesmente para ficar com outra pessoa, não apenas é uma atitude egoísta de quem nunca amou de verdade. É antes de qualquer coisa uma atitude burra! Ninguém jamais conseguirá ser feliz de verdade, se para tanto tiver que fazer a infelicidade de outro. As pessoas não são objetos que trocamos quando nos convém. A história prova que não dura muito e termina de forma bastante desagradável relacionamentos que, para subsistir, tiveram que causar o rompimento de outro. É obvio que existem casos mais raros e mais extremos. Entretanto, boa parte dos divórcios acontece por orgulho das partes ou pelo menos de uma delas. É bom lembrar que quem pensa estar com toda a razão, geralmente é quem toma atitudes equivocadas, e que mais adiante coloca a pessoa numa encruzilhada, em que uma via conduz à humildade e consequente retorno; enquanto a outra exige orgulho elevado para manter a decisão. Mas, seja como for, se a manutenção da relação chega a um nível insuportável, é melhor mesmo a separação, mas que esta aconteça de forma amigável, pois ex-cônjuges não são sinônimos de novos inimigos. Certo mesmo é que ninguém é culpado sozinho, a razão não está apenas de um lado, e principalmente, estar com a razão não é sinônimo de ser feliz.
Importante também é entender que o amor não morre fácil, o que morre é casamento, a instituição. O problema é que a vida anda cheia de ilusões. As pessoas se apegam às vaidades desse mundo, os amigos, as novelas, o computador, o futebol e muitas outras coisas que acabam cegando para a verdadeira realidade. Também é preciso considerar que a parte acusada de ser a culpada (lembram que não existe culpado sozinho?), não deve nunca assumir essa culpa. Ela é recíproca. E muitas vezes quem acha que ganhou, perde mais que quem acha que perdeu. É comum, com o passar do tempo, que a pessoa que se pensou vitoriosa lá atrás, sinta-se o último biscoito do pacote, prestes a desaparecer da mesa do relacionamento. Mas aí já não importa mais, provavelmente o outro não quis esperar. E fez bem!!!
Uma vez me disseram que o relacionamento é como um belo piso de madeira de lei, com um brilhante verniz a espelhar tudo a sua volta, por onde as pessoas podem passar com segurança e felizes. Cada vez que uma das pessoas comete um desagrado ao outro, é um prego que se bate naquele piso. E de repente percebe-se que aquele piso está cheio de pregos, que não impedem que se passe por ele, mas exige que se desvie e se tome cuidado. Um dia eles resolvem ser melhores e fazer agrados um ao outro. E os pregos vão sendo retirados. Todos. O caminho parece livre novamente, mas se olhar bem verá que ficaram os buracos marcando o piso e as farpas que machucam os pés. Aquele piso nunca mais voltará a ser o mesmo. Não há conserto, só pode ser trocado.
Portanto, nunca tenha medo de trocar o piso por onde você passou por anos a fio. Insistir pode significar se machucar ou machucar quem você sempre amou. Não tenha medo de conviver com você mesmo, ou buscar outro amor. Até porque, pode existir felicidade depois que o casamento acaba. Sobre o assunto, é minha opinião formada!