
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Alegria dos boiolas
Quatro amigos se encontraram em uma festa, após 30 anos sem se verem.
Algum drinque aqui, bate papo de lá e de cá e um deles resolve ir ao banheiro.
Os que ficaram começaram a falar sobre os filhos.
O primeiro diz :
- Meu filho é meu orgulho. Ele começou a trabalhar como Office Boy em uma empresa. Estudou, se formou em Administração, foi promovido a gerente da empresa e hoje é o presidente. Ele ficou tão rico, tão rico, que no aniversário de um amigo na semana passada, ele deu uma Mercedes nova para ele.
O segundo disse :
- Nossa, que beleza! Mas meu filho também é um grande orgulho para mim.
Ele começou trabalhando como entregador de passagens. Estudou e formou-se piloto. Foi trabalhar em uma grande empresa aérea. Resolveu entrar como sócio na empresa e hoje ele é o dono. Ele ficou tão rico, que no aniversário de um amigo, também na semana passada, ele deu-lhe um avião 737 de presente.
O terceiro falou :
- Nossa parabéns ! Mas meu filho também ficou muito rico.
Ele estudou, formou-se em engenharia e abriu uma construtora. Deu tão certo que ele ficou milionário. Ele também deu um super presente para um amigo que fez aniversário por esses dias . Ele construiu uma casa de 500 metros quadrados na praia para ele.
O amigo que havia ido até o banheiro chegou e perguntou :
- Qual é o assunto ?
- Estamos falando do orgulho que temos de nossos filhos.
- E o seu ? O que ele faz ?
- Meu filho é garoto de programa, dorme o dia todo e ganha a vida fazendo a alegria dos boiolas.
E os amigos disseram:
- Nossa que decepção para você !
Que nada, ele é meu orgulho !
É um grande sortudo !
Ele fez aniversário semana passada e ganhou uma casa na praia com 500 metros quadrados, um avião 737 e uma Mercedes zerinho de presente de três boiolas.
Algum drinque aqui, bate papo de lá e de cá e um deles resolve ir ao banheiro.
Os que ficaram começaram a falar sobre os filhos.
O primeiro diz :
- Meu filho é meu orgulho. Ele começou a trabalhar como Office Boy em uma empresa. Estudou, se formou em Administração, foi promovido a gerente da empresa e hoje é o presidente. Ele ficou tão rico, tão rico, que no aniversário de um amigo na semana passada, ele deu uma Mercedes nova para ele.
O segundo disse :
- Nossa, que beleza! Mas meu filho também é um grande orgulho para mim.
Ele começou trabalhando como entregador de passagens. Estudou e formou-se piloto. Foi trabalhar em uma grande empresa aérea. Resolveu entrar como sócio na empresa e hoje ele é o dono. Ele ficou tão rico, que no aniversário de um amigo, também na semana passada, ele deu-lhe um avião 737 de presente.
O terceiro falou :
- Nossa parabéns ! Mas meu filho também ficou muito rico.
Ele estudou, formou-se em engenharia e abriu uma construtora. Deu tão certo que ele ficou milionário. Ele também deu um super presente para um amigo que fez aniversário por esses dias . Ele construiu uma casa de 500 metros quadrados na praia para ele.
O amigo que havia ido até o banheiro chegou e perguntou :
- Qual é o assunto ?
- Estamos falando do orgulho que temos de nossos filhos.
- E o seu ? O que ele faz ?
- Meu filho é garoto de programa, dorme o dia todo e ganha a vida fazendo a alegria dos boiolas.
E os amigos disseram:
- Nossa que decepção para você !
Que nada, ele é meu orgulho !
É um grande sortudo !
Ele fez aniversário semana passada e ganhou uma casa na praia com 500 metros quadrados, um avião 737 e uma Mercedes zerinho de presente de três boiolas.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Amor de argentino...
Estavam certa vez, o americano, o argentino e o brasileiro, na China, bebendo umas e outras em praça pública, coisa que é proibida nesse país.Foram presos e levados ao juíz.O juíz os condenou a 20 chibatadas.Como era transição entre o ano do galo e o tigre, tinham direito, isso todos os prisioneiros, a um pedido, desde que não fosse escapar da punição.O juíz falou: "Americano, vcs são um povinho de merda, metidos a besta, prepotentes, acham que são os donos do mundo, mas mesmo assim lhe concedo o pedido, pode pedir".O americano fala: "Amarrem um travesseiro nas minhas costas".Lá pela décima chibatada, o travesseiro rompe e acaba levando mais 10 cibatadas no couro limpo."Argentino. Vcs sim são um povo de merda mesmo, cheio de marra, êta gente chata, como vcs nunca vi, mas vou ter de lhe conceder o pedido"."Amarrem 2 travesseiros nas minhas costas". Diz o argentino. Depois da 15ª chibatada os travesseiros não aguentam a força das chibatadas e acaba levando 5 chibatadas sem qualquer proteção.Chega a vez do brasileiro..."Brasileiro", diz o juíz, vcs são um povo exemplar, povo sofrido, vive na miséria, trabalhor e mesmo assim mantém o bom-humor, ao invés de um pedido, vou quebrar o protocolo e lhe favorecer a dois pedidos. Pode pedir.o brasileiro fala: " Não quero levar 20 chibatadas e sim 200". O juíz se espantou, mas tudo bem, o cara era brasileiro. e pergunta: " Qual é o 2º pedido?""Amarrem o argentino nas minhas costas".
Dando o troco
O sujeito estava nomorando a morena mais gostosa do bairro. Aquela que todo mundo gostaria de dar uns amassos. Logo anunciaram casamento.Mas, depois de alguns meses de paixão, a rotina tomou conta do casamento.- Amorzinho - disse a morena -, a torneira da pia está quebrada. Você não vai consertar?- Eu não, eu nao sou encanador! - responde o marido.Depois de alguns dias:- Amorzinho, os ladrilhos do banheiro estão soltos, você não vai consertar?- Cê tá doida! Eu não sou pedreiro!Mais alguns dias:- Amorzinho, meu guarda-roupas está com problema, você não vai consertar?- Cê ta maluca! Eu não sou marceneiro!Um dia o sujeito teve que ir viajar por uma semana. Quando voltou encontrou tudo consertado.- Quem consertou a pia? - perguntou o marido.- O Ricardo - respondeu a morena.- E os ladrilhos do banheiro?- O Ricardo também.- E a porta do nosso guarda-roupas?- Ora, o Ricardo.- Mas onde você arrumou dinheiro para pagar o Ricardo, se eu não deixei dinheiro para você?- Ah, meu bem, quando eu perguntei como poderia pagar, ele me disse que eu tinha duas opções: ou fazia alguns pasteizinhos ou ia pra cama com ele...- Aquele ordinário! Eu mato aquele desgraçado! Como é que ele fala assim com você? Quantos pasteizinhos ele comeu?- Cê tá louco? Eu não sou cozinheira!!
Praça central é tomada por sugismundos
Miranda(MS) - Os mais velhos devem se lembrar da campanha do "Sugismundo" que foi veiculada pela televisão na década de setenta, e que mostrava num desenho animado a história de um garoto porcalhão - o personagem "Sugismundo" - que era discriminado pelos colegas toda vez que jogava lixo no chão. A campanha fez um sucesso tão grande que muitos anos depois, ser chamado por alguém de Sugismundo ainda era considerado uma ofensa.A impressão que se tem é que a campanha deveria voltar, pelo menos em Miranda, graças a ação de alguns porcalhões.Já virou rotina a Praça Agenor Carrilho amanhecer tomada pela sujeira, principalmente nas manhãs de domingo, quando o serviço de limpeza não funciona. Mas o problema não é a folga do pessoal da limpeza pública, mas a falta de educação dos freqüentadores da praça e, principalmente, de alguns organizadores de eventos que acontecem no local.Há vários anos, quando na praça funcionava o Gugu Lanches, o proprietário sempre providenciava a limpeza no local quando ia fechar o estabelecimento. O mesmo sempre fez o João, do Bar Paraná. Mas infelizmente não é o que se vê nos dias de hoje. Apenas para ilustrar a matéria, a reportagem do Guaicuru registrou em foto a situação que ficou a praça depois do baile que aconteceu no último sábado (10). Baile esse organizado por um particular, no Clube Social.Talvez fosse a hora de um dos novos vereadores apresentar um requerimento ao Executivo, propondo uma legislação rígida para com os proprietários de estabelecimentos noturno e organizadores de eventos, exigindo que seja feita a limpeza dos passeios públicos após o encerramento das atividades, principalmente as dos finais de semana. Um desafio a vencer o corporativismo, uma vez que um dos constantes organizadores de eventos no Clube Social (como o de sábado passado) é um jovem vereador, cheio de gás e moralidade.Em se tratando de atividades comerciais, com fins lucrativos, nada mais justo que a limpeza da área pública seja feita por quem explora a atividade comercial, seja ela constante ou ocasional.AFONSO PENAO mesmo vem ocorrendo com a avenida Afonso Pena, recentemente revitalizada. Alguns proprietários de estabelecimentos no local, inclusive as barraquinhas fixas, sentem prazer em deixar sua assinatura de porcalhões quando encerram as atividades.A prefeitura investiu na revitalização da avenida, transformando-a num cartão postal, mas a reciprocidade de alguns comerciantes não tem sido a mesma. Uma pena, a cidade suja deixa um carimbo de mal-educado na testa de todo mirandense, embora a culpa seja de uns poucos. Está na hora de se fazer algo, já que a conscientização parece não ser o forte dessa minoria de porcalhões.
Mais de dois Séculos de História
A existência de Miranda, mais uma cidade colonial brasileira em Mato Grosso do Sul, deve-se ao Capitão João Leme do Prado, que ao desbravar os rios Miranda e Aquidauana, encontrou ruínas da antiga Xerez, cidade fundada em 1.579 e destruída pelos índios guaicurus, e, por ordem do Capitão Caetano Pinto de Miranda Montenegro, governador da capitania de Mato Grosso, João Leme lançou, em 16 de julho de 1.778, os alicerces do Presídio Nossa Senhora do Carmo do Mondego, conhecido depois como Presídio de Miranda. A manutenção do povoado, que surgiu na parte externa da fortificação, sob o nome de presídio, era difícil devido a falta de melhores meios de navegação pelo rio Mondego - atual Miranda, e só se mantinham no lugar, os seus fundadores. Mesmo assim, o povoado progredia: Em 1.797 já havia 4 ( quatro ) casas de adobe e pau-a-pique, cobertas de telha de barro, obedecendo a um traçado de rua, cuja principal era Nossa Senhora do Carmo, atual Rua do Carmo, bastante extensa, indo até a beira do rio. Sua emancipação ocorreu em 16 de julho de 1.778. No primeiro censo nacional realizado em 1.872, Miranda era a mais populosa localidade no Sul do Mato Grosso, com seus 3.852 habitantes, sendo 142 escravos. Por falar em escravos, uma importante página da história foi escrita quando em 1.885, três anos antes da declaração da Princesa Izabel pela Abolição da Escravatura, o Clube Emancipador de Miranda, com o apoio da Câmara Municipal, alforriou seus escravos. Em 30 de maio de 1.857, por Lei Provincial, o lugar foi elevado a condição de Vila de Miranda, por força do trabalho de Francisco Rodrigues do Prado, irmão do fundador do presídio. Visando a proteção da vila, o governo imperial determinou, anos depois, a fundação da colônia Militar de Miranda. A comarca foi instalada em 07 de Maio de 1.878, após a Guerra do Paraguai, ficando incorporada a Corumbá. Em 31 de dezembro de 1.912, com a chegada da ferrovia, a vila passou por um novo surto de desenvolvimento. Nessa mesma data, foram também inauguradas, as estações ferroviárias rurais de Bodoquena, Guaicurus e Salobra. A majestosa ponte metálica sobre o rio salobra, data de 1.931. Miranda é uma cidade que tem feição de quem parou no tempo em termos arquitetônicos, e com isso podemos ver diversos edifícios que, se bem preservados e mantidos, podem resplandecer e configurar novos usos culturais e artísticos. Um dos exemplos mais dignos é o da Estação Ferroviária mais antiga do Mato Grosso do Sul, quase toda original de 1.912. O referido espaço foi totalmente revitalizado pela prefeitura municipal, e transformado em espaço cultural, onde hoje funcionam: a Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente, a Secretaria Municipal de Esportes, a Casa do Artesão, o Museu Ferroviário e o bar Plataforma do Peixe. Miranda possui um patrimônio arquitetônico admirável, como a velha Usina de Açúcar Santo Antônio, localizada nos arredores da cidade, construída em 1.900, ou ainda diversas residências urbanas, construídas no período do ecletismo dos anos 20, todas na área mais central. Diversos prédios, ainda são mantidos em sua condição original, como a igreja matriz, erguida em 1.931 pelo construtor português Manoel Secco Thomé, e projetada pelo arquiteto alemão Frederico Urlass, quando da sua passagem pela cidade; o prédio da prefeitura municipal, ao lado da igreja, e a antiga escola defronte ao espaço, em estilo Art Deco, transformado em órgão municipal. A rua do Carmo, a mais antiga da cidade, que outrora abrigou diversos estabelecimentos comerciais importantes, abriga a Praça Central, Agenor Carrilho, e em volta dela, gira, a cidade antiga. O nome da cidade e do rio deve-se ao nome do governador da capitania Os usos e costumes antigos, devem-se aos índios que habitavam a parte exterior do Presídio do século XVIII e que formaram o primeiro povoado. Como segunda cidade colonial Sul Mato-grossense, Miranda, está viabilizando através de parcerias Estadual e Federal, projetos que viabilizem a combinação de políticas de preservação da memória e de restauração dos edifícios importantes. Como cidade pantaneira, tem-se convertido em cidade turística de uso rural, com o reaproveitamento de fazendas, chácaras e instalação de hotéis.
Peabiru, a rota perdida
André Kovalevski
A história brasileira, a despeito da quantidade de livros e pesquisas publicadas ao longo dos anos, ainda é um enredo repleto de perguntas sem resposta. E o que mais atormenta o imaginário de historiadores e pesquisadores é algo tão misterioso quanto inspirador: como seria o Brasil antes da chegada de portugueses e outros exploradores europeus? Na busca por respostas, alguns indícios têm vindo à tona, os quais revelam algo no mínimo surpreendente: comerciantes e soldados Incas teriam pisado em território brasileiro e mantido, mesmo que isoladamente, contato com nossos indígenas, especialmente os guaranis. Em seu livro Náufragos, Traficantes e Degredados (Editora Objetiva, 1998), o jornalista Eduardo Bueno dá algumas pistas do que foi o Peabiru: "Não se tratava de uma mera vereda na mata: era quase uma estrada, sinalizada por certa erva muito miúda". A denominação Caminho do Peabiru aparece pela primeira vez no livro História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán, escrito pelo padre jesuíta Pedro Lozano, nascido em 1697. Ponto de partida - O que pouca gente sabe, especialmente na Baixada Santista, é que São Vicente, além de ser a primeira vila organizada fundada no País, foi um dos pontos de partida da rota, cujo nome, em tupi-guarani, significa pe (caminho) e abiru (gramado amassado). A trilha que ligava o litoral brasileiro aos Andes também era alcançada a partir de Cananéia (SP) e Porto dos Patos (SC). O que tem dificultado o trabalho dos estudiosos é o fato de que o desenvolvimento, particularmente a agricultura, acabou por apagar boa parte do seu traçado original. Em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul praticamente não existem mais trechos originais. Somente em 1970 alguns vestígios do Peabiru foram encontrados pela equipe do professor Igor Chmyz, da Universidade Federal do Paraná. O grupo achou cerca de 30 km da trilha na área rural de Campina da Lagoa (PR). Ao longo do trecho, o pesquisador descobriu sítios arqueológicos com restos de habitações utilizadas, provavelmente, quando os índios estavam em viagens. Algumas iniciativas têm buscado recuperar parte da rota. Trabalho do arquiteto Daniel Issa Gonçalves, pela USP, posiciona o caminho sobre a atual malha urbana da cidade de São Paulo. "As trilhas indígenas são um dos raros testemunhos da vida no período pré-colombiano brasileiro", afirma Daniel. Mas o que ainda intriga os pesquisadores é quando e como o caminho teria sido criado. A pesquisadora Rosana Bond diz ser difícil datar o Peabiru com precisão. Mil anos - Em suas pesquisas, ela diz ter encontrado hipóteses de que o Peabiru pode ter sido utilizado pelos Itararés, no interior paranaense, já nos anos 400 ou 500 D.C., portanto, mil anos antes da conquista européia. "Achei também suposições de que o caminho, em seu trecho paraguaio e andino, já era usado no século VIII", afirma. Mas a principal característica que faz do Peabiru algo excitante aos olhos de muitos pesquisadores é a possibilidade dele ter sido utilizado para o contato entre índios brasileiros e os Incas. "Isso é praticamente certo. Há autores que defendem a tese de que o Peabiru teria sido aberto de Oeste a Leste, de lá para cá, dos Andes rumo ao Brasil, e não o contrário. É provável que comerciantes e soldados Incas tenham estado, em algumas oportunidades, no teritório brasileiro. Não foi uma presença constante, pois os nossos índios não permitiam", diz Rosana. Não bastassem essas afirmações, outro detalhe também contribui para aumentar a aura de mistério que cerca o caminho: "Chama a atenção a existência de pedras orientadas, de uso astronômico, e de relógios solares - semelhantes aos incaicos - em alguns pontos do Sul do Brasil, inclusive no litoral", comenta Rosana. Nas palavras do escritor e historiador Hernâni Donato, a maior autoridade brasileira no assunto e autor de mais de 60 livros, é fundamental olhar o caminho pelos olhos dos Incas e não apenas pelo prisma dos europeus. "Do coração do império, as estradas Incas apontavam para os quadrantes da América. As mais importantes, pavimentadas, protegidas, arborizadas e regadas. Outras, secundárias, meramente de exploração - como o Peabiru - menos cuidadas, preparando o futuro avanço para o Atlântico".
A história brasileira, a despeito da quantidade de livros e pesquisas publicadas ao longo dos anos, ainda é um enredo repleto de perguntas sem resposta. E o que mais atormenta o imaginário de historiadores e pesquisadores é algo tão misterioso quanto inspirador: como seria o Brasil antes da chegada de portugueses e outros exploradores europeus? Na busca por respostas, alguns indícios têm vindo à tona, os quais revelam algo no mínimo surpreendente: comerciantes e soldados Incas teriam pisado em território brasileiro e mantido, mesmo que isoladamente, contato com nossos indígenas, especialmente os guaranis. Em seu livro Náufragos, Traficantes e Degredados (Editora Objetiva, 1998), o jornalista Eduardo Bueno dá algumas pistas do que foi o Peabiru: "Não se tratava de uma mera vereda na mata: era quase uma estrada, sinalizada por certa erva muito miúda". A denominação Caminho do Peabiru aparece pela primeira vez no livro História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán, escrito pelo padre jesuíta Pedro Lozano, nascido em 1697. Ponto de partida - O que pouca gente sabe, especialmente na Baixada Santista, é que São Vicente, além de ser a primeira vila organizada fundada no País, foi um dos pontos de partida da rota, cujo nome, em tupi-guarani, significa pe (caminho) e abiru (gramado amassado). A trilha que ligava o litoral brasileiro aos Andes também era alcançada a partir de Cananéia (SP) e Porto dos Patos (SC). O que tem dificultado o trabalho dos estudiosos é o fato de que o desenvolvimento, particularmente a agricultura, acabou por apagar boa parte do seu traçado original. Em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul praticamente não existem mais trechos originais. Somente em 1970 alguns vestígios do Peabiru foram encontrados pela equipe do professor Igor Chmyz, da Universidade Federal do Paraná. O grupo achou cerca de 30 km da trilha na área rural de Campina da Lagoa (PR). Ao longo do trecho, o pesquisador descobriu sítios arqueológicos com restos de habitações utilizadas, provavelmente, quando os índios estavam em viagens. Algumas iniciativas têm buscado recuperar parte da rota. Trabalho do arquiteto Daniel Issa Gonçalves, pela USP, posiciona o caminho sobre a atual malha urbana da cidade de São Paulo. "As trilhas indígenas são um dos raros testemunhos da vida no período pré-colombiano brasileiro", afirma Daniel. Mas o que ainda intriga os pesquisadores é quando e como o caminho teria sido criado. A pesquisadora Rosana Bond diz ser difícil datar o Peabiru com precisão. Mil anos - Em suas pesquisas, ela diz ter encontrado hipóteses de que o Peabiru pode ter sido utilizado pelos Itararés, no interior paranaense, já nos anos 400 ou 500 D.C., portanto, mil anos antes da conquista européia. "Achei também suposições de que o caminho, em seu trecho paraguaio e andino, já era usado no século VIII", afirma. Mas a principal característica que faz do Peabiru algo excitante aos olhos de muitos pesquisadores é a possibilidade dele ter sido utilizado para o contato entre índios brasileiros e os Incas. "Isso é praticamente certo. Há autores que defendem a tese de que o Peabiru teria sido aberto de Oeste a Leste, de lá para cá, dos Andes rumo ao Brasil, e não o contrário. É provável que comerciantes e soldados Incas tenham estado, em algumas oportunidades, no teritório brasileiro. Não foi uma presença constante, pois os nossos índios não permitiam", diz Rosana. Não bastassem essas afirmações, outro detalhe também contribui para aumentar a aura de mistério que cerca o caminho: "Chama a atenção a existência de pedras orientadas, de uso astronômico, e de relógios solares - semelhantes aos incaicos - em alguns pontos do Sul do Brasil, inclusive no litoral", comenta Rosana. Nas palavras do escritor e historiador Hernâni Donato, a maior autoridade brasileira no assunto e autor de mais de 60 livros, é fundamental olhar o caminho pelos olhos dos Incas e não apenas pelo prisma dos europeus. "Do coração do império, as estradas Incas apontavam para os quadrantes da América. As mais importantes, pavimentadas, protegidas, arborizadas e regadas. Outras, secundárias, meramente de exploração - como o Peabiru - menos cuidadas, preparando o futuro avanço para o Atlântico".
Fragmentos da história de Campo Grande
Os primeiros dados sobre a região datam de 1870, quando, devido a guerra da Tríplice Aliança, chegaram a notícia aos moradores do Triângulo Mineiro (Monte Alegre) da existia terras férteis para lavoura e criação de gado no então chamado Campo de Vacarias. Esta notícia contentou José Antonio Pereira, que estava a procura de gleba da qual pudesse apossar com sua gente. Assim, no dia 21 de junho de 1872, acampou nas terras onduladas da Serra de Maracajú, na confluência dos córregos Prosa e Segredo – hoje Horto Florestal. Nas proximidades, José Neponuceno já possuía um rancho à beira do trilheiro, por onde boiadeiros passavam para ir até o Município de Nioaque (a Sul) e Camapuã (ao Norte). Em 14 de agosto de 1875, José Antonio Pereira trás sua esposa e seus oito filhos, escravos e outros. No local do primeiro rancho encontraram Manoel Vieira de Souza e sua família, onde dão origem a primeira geração de Campo-grandense. No final do ano de 1877, cumpre sua promessa e termina a primeira igrejinha rústica de pau-a-pique com telhas de barro. As casas naquele precário alinhamento, formaram a primeira rua, a Rua Velha – hoje 26 de agosto – que terminava num pequeno lago, de onde se ensaiava uma bifurcação, formando mais duas vias. José Antonio Pereira havia construído sua casa na ramificação de baixo, em sua fazenda Bom Jardim. O fundador veio a falecer cinco meses depois da emancipação. Em 1879 surge novas caravana de mineiros que vão distribuindo-se através de marcações de posses, estabelecendo assim as primeiras fazendas da região de Santo Antonio de Campo Grande. Na parte central da rua, na casa de comércio e farmácia, propriedade de Joaquim Vieira de Almeida, reuniam-se as pessoas graúdas da comunidade. Este era o homem de maior instrução da vila, redator de atas e cartas de caráter público ou privado. Ali eram resolvidos os problemas comunitários. Dali saíam as reivindicações ao governo. Possivelmente de autoria de Joaquim Vieira de Almeida foi a correspondência pedindo a emancipação da vila. Depois de antigas e insistentes reivindicações, também, devido a posição estratégica, e por ser passagem obrigatória para quem fosse do extremo Sul do Estado a Camapuã ou ao Triângulo Mineiro, o governo estadual assina a resolução de emancipação da vila, elevando-a a município de Campo Grande em 26 de agosto de 1899. Quando aconteceu a emancipação, Joaquim Vieira de Almeida já havia falecido por causa de uma tuberculose, sem saber que seu pedido fora atendido. O povoado de Campo Grande cresce e prospera com o comércio de gado, proporcionado pelo estabelecimento da fazendas de criação em suas imediações e nos campo limpos de Vacarias. Torna-se um centro de comercialização de gado, de onde partiam comitivas conduzindo boiadas para o Triângulo Mineiro e o Paraguai. Com a construção da estrada boiadeira, por Manoel da Costa Lima, que ia de Campo Grande até as barrancas do Paraná, as boiadas passaram a dirigir-se também para São Paulo, abrindo novo mercado para o gado da região e novas oportunidades de intercâmbio comercial. Outro fator de progresso para Campo Grande e para o Estado de Mato Grosso, foi a chegada da Estrada de Ferro da Noroeste do Brasil, em 1914, ligando as duas bacias fluviais: Paraná e Paraguai, aos países vizinhos: a Bolívia (através do Porto Esperança) e o Paraguai (através de Ponta Porã). Foi um marco decisivo para o crescimento da cidade, que despontava como uma das mais progressistas do Estado. Funcionando como empório comercial e centro de serviços de uma vasta região, Campo Grande desenvolvia-se e firmava sua liderança no sul do Estado. A transferência, em 1921, do Comando da Circunscrição Militar, até então sediado em Corumbá, e a construção que essa transferência ensejou, dos quartéis e outros estabelecimento militares, na cidade, foi outra iniciativa que contribuiu para o desenvolvimento de Campo Grande e para a afirmação de sua liderança. Em 1930 a cidade já contava com cerca de 12 mil habitantes, 3 Agências Bancárias, Correios e Telégrafos, várias repartições públicas e estabelecimento de ensino primário e secundário, abastecimento de água canalizada, luz elétrica, telefone e clubes recreativos. Meados de 1932, a cidade ficou sabendo da deflagração da Revolução Constitucionalista. A notícia espalhou pela população que viu-se frente ao seu primeiro desafio: que lado tomar na refrega? Coube aos políticos e coronéis da época a decisão de romper de vez com o poder, e unir-se a São Paulo contra tudo e contra todos. Declarou aqui um Estado independente, tendo como capital Campo Grande. Escolheu-se como governador o renomado médico Vespasiano Martins, instalando-se o palácio do governo no prédio da Maçonaria, de onde partiam as decisões e o planejamento do combate às forças legalistas. A capital do Estado, Cuiabá, recebia maior influência de Goiás, Rio de Janeiro, Paraná e parte de Minas Gerais, continua legalista. Campo Grande, deste modo, torna-se a Capital do Estado de Maracajú, concretizando uma anseio já manifestado desde o início do século: O Sul independente do Norte (de 11 de julho até outubro de 1932). Com a vitória das forças legalistas, frusta-se a campanha divisionista. Esta é reiniciada em 1958. Quando o general Ernesto Geisel foi empossado na Presidência da República e nomeou o general Golbery do Couto e Silva para a chefia de sua Casa Civil, poucas pessoas lembravam-se de que, há cerca de 20 anos, esses dois militares, então coronéis, haviam estado em Mato Grosso para estudar a viabilidade da divisão do Estado, tendo concluído que ela era não apenas viável, mas necessária. O Sul do Estado consegue eleger a maioria da Assembléia Legislativa Estadual, vindo a ser concretizada, em 11 de outubro de 1977, pela promulgação da Lei Complementar nº 31, a criação de um novo Estado, Estado de Mato Grosso do Sul, e elege Campo Grande como sua Capital. No início dos anos 60, Campo Grande abriga a sua primeira instituição de ensino Superior, as Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso, conhecida por sua sigla FUCMAT, transformada na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Nessa mesma década é criada a Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT), com um de seus campi instalado em Campo Grande, onde se concentram cursos nas áreas de saúde e ciências exatas e tecnológicas. Depois da divisão do Estado, ela se federaliza, tornando-se a Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FUFMS), hoje (UFMS). Nos anos 70, criou-se o Centro de Ensino Superior “Professor Plínio Mendes dos Santos” (Cesup), antecessor da Universidade Para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp). Depois, já na década de 90, surgem a Sociedade Ensino e informática Campo Grande (Seic) e as Faculdades Integradas de Campo Grande (FIC – Unaes). Outras instituições de ensino superior foram se instalando na cidade, como a Estácio de Sá e Facsul, entre outras. Campo Grande ocupa posição privilegiada geograficamente, ou seja, está localizada no centro do Estado, eqüidistante de seus extremos norte, sul, leste e oeste; está também localizada sobre o divisor de águas das bacias dos rios Paraná e Paraguai, o que facilitou a construção das primeiras estradas que até aqui chegaram ou que daqui partiram. Esta posição em muito contribuiu para que se tornasse a grande encruzilhada ou pólo de desenvolvimento da vasta região. Graça a seu solo avermelhado e seu clima tropical, a cidade é carinhosamente chamada de “Cidade Morena”, possui uma boa estrutura, com ampla rede hoteleira, bons restaurantes com variados pratos típicos. É por Campo Grande que começa toda aventura turística dos que se propõem a conhecer o Pantanal.
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